Daniela Mercury «indignada» com Vaticano
Daniela Mercury viu ser-lhe negada a sua entrada no Vaticano, para onde fora convidada, no âmbito de um concerto de Natal para o Papa Bento XVI. Inicialmente, a cantora baiana faria parte de uma lista que celebraria a abertura do ano Xaveriano, em honra a São Francisco Xavier.
O concerto permanece agendado, mas já sem a presença de Daniel Mercury, que foi riscada da lista. A justificação dada pelo Vaticano tem por base o facto da cantora ter participado anteriormente numa campanha de prevenção da SIDA, apelando ao uso de preservativos.
Daniela Mercury manifestou-se desagrada e insatisfeita com a nega que levou, justificando que «respeita a Igreja Católica e há que manter um compromisso humano para com as diferenças». A cantora lamentou ainda a forma como lhe foi comunicada a dispensa, já que ninguém a abordou para qualquer diálogo.
Daniela Mercury «indignada» com Vaticano (notícia de 06-12-2005)
Daniela Mercury contestou esta Segunda-feira, 5 de Dezembro, a declaração da Igreja Católica de que a participação da cantora no concerto de Natal do Vaticano foi cancelada devido à sua ameaça de defender, durante o evento, o uso de preservativos para combater a Sida.
«Estou surpreendida e indignada com as declarações do monsenhor [Giuseppe] Belucci», afirmou Daniela Mercury em comunicado, referindo-se ao padre que organizou o espectáculo. «Além de nunca ter afirmado que faria qualquer tipo de manifestação a favor do uso do preservativo no Concerto de Natal do Vaticano, deixei clara a minha posição posição numa carta enviada por mim ao monsenhor Bellucci, no dia 18 de Novembro de 2005», acrescenta a cantora brasileira.
Embaixadora da UNICEF e do programa anti-Sida da Organização das Nações Unidas (ONU), Daniela Mercury foi afastada do espectáculo, onde participaram as cantoras sul-africana Miriam Makeba e irlandesa Dolores O'Riordan (Cranberries), por alegadamente ter «anunciado que, durante o concerto, promoveria abertamente o uso de preservativos para combater o flagelo da Sida. As convicções de uma pessoa são uma coisa, mas fazer declarações como esta são outra», explicou o padre Giuseppe Bellucci em entrevista colectiva na Sexta-feira.
No mesmo concerto de Natal do Vaticano, mas em 2003, a cantora norte-americana Lauryn Hill chocou os representantes da Igreja Católica quando pediu aos sacerdotes para se «arrependerem», numa alusão ao escândalo do abuso sexual de crianças por parte de padres norte-americanos. Na transmissão televisiva do espectáculo, a actuação da vocalista dos Fugees foi cortada.
A Igreja Católica é contra o uso do preservativo, por se tratar de um método anticoncepcional, e defende que a fidelidade no casamento, a castidade e a abstinência são os melhores meios de impedir o avanço da Sida e do vírus do HIV.
Fonte: Cotonete
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